quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Equador



Um chão de Mar
Estendido ao olhar
Ao meio do dia
A travessia.

Linha do Equador
Um barco quase a vapor
O 'Quanza' a lamentar
O seu vagar.

E nos olhos da criança
A esperança
Debruçada 
Na âncora pendurada.

E na água prateada
Deste Mar
O menino espreitava
Os golfinhos junto à quilha
Num suave navegar.

(reeditado)


terça-feira, 19 de setembro de 2017

pequeno ponto azul nos confins do(s) universo(s)






misteriosas e estranhas veredas estas que
presas ao tempo colam imagens
fragmentadas
de verdades construídas nas incertezas e nas crenças com que habitamos os nossos medos.

esse tão diminuto grão de poeira onde permaneço
este meu ser, é uma ínfima parte no momento
instante que se faz num querer
tão absoluto.

viver o agora, sem muito pensar no passado
e com o próximo ou longínquo futuro
não estar angustiado
é passaporte para viver despreocupado.

mas tudo o que faço tem influência no futuro
e é nessa perspectiva, sem acreditar
noutras vidas, que não a que vejo e sinto,
que se me fosse dado olhar, dum distante sistema solar, a Terra parecer-me-ia uma frágil poeira no ar.

não há salvadores ou protectores
que nos venham ajudar.

...e só nós dela teremos de cuidar.

[nota: lamentavelmente, continuo com problemas na m/conta e impedido de comentar em blogs do Google.]

domingo, 10 de setembro de 2017

Quem Sois...?

Quem Sois, Senhora, que de meus olhos, tão luminosa beleza, cega minha tristeza?

Vendo-Vos, minha arte é sombra ardente, que de meu lume faço
e de amor trespasso.

Tendo-Vos, em tão vasto sentir, é um todo em parte
é abarcar o mundo num só abraço
e de minha alma voar todo o cansaço.

E sendo Vós tão rara e gentil presença, serve Vosso manto 
de útil e calorosa Benquerença.




a mais doce, a mais terna, a mais bela canção de amor.



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

agosto



a meio do dia
já sem lugar
onde se refrescar
o gato segue as sombras
curtas dos beirais

vai com destino
sem dono
de fininho
à procura de luar.



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

contra-luz



tinhas o sorriso preso ao olhar
e nesses olhos um pôr-do-sol
a bailar.
junto à falésia e ao fundo o mar
cruzaste o horizonte sentada
entre plantas verdejantes e raios de contra-luz.
não sei o que pensei ou sequer se o mundo era habitável em mim.
tudo ficou suspenso no tempo.
esse tempo dum só momento
dum só desejo.
dum juramento.
só me lembro que se houvesse um paraíso
ele seria aqui.
e nele poderia viver eternamente...