segunda-feira, 17 de julho de 2017

passagem




foi tão breve esta passagem
entre vós
tão breve este amanhecer
que o ocaso já se aproxima
como se a vida neste mundo
fosse um só dia de crescimento.

não tive tempo de as minhas palavras

- tão poucas que elas foram -
chegassem ao vosso coração.

valeu a pena, mesmo assim, esta intenção.


se, um dia, casualmente

sentirdes  uma breve e suave brisa acariciando o vosso rosto
pensai que serão essas palavras a tocarem-vos em voos de compaixão.

sábado, 15 de julho de 2017

áfrica a sul

imagina-te prisioneiro
(vinte e sete anos de cativeiro)
condenado na vida, por inteiro
em cela exígua, longe, sem rastreio.

imagina, que o crime julgado
foi por seres negro, discriminado
e todo o teu povo, posto de lado
país onde nasceste e  foste criado
onde a tua voz se tinha levantado
contra a injustiça, pelo explorado.

imagina os muros e barreiras
necessários, que te levassem a criar
para todos os medos a excomungar
sem poderem entrar
e a dignidade por alterar
no trato e nas maneiras de ser
ganhando o respeito dos teus inimigos e transformando o ódio e todos os perigos, em amor pelo próximo.

imagina-te mais forte que todos os exércitos
derrotando-os com estes méritos
expulsando os medos da morte.

pois esse sonho foi real, mas está a ser destruído por outros, como tal.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Helena_ A Última Página


LUTO

QUARTA-FEIRA, 12.07.17



Leninha, por algum desses mistérios da vida, você sabia que estava partindo e quis preparar o meu coração, mas eu me recusei a ouvir as palavras que me queimariam como fogo, pois não queria aceitar que iria perder um pedaço de mim. Ainda ouço a sua voz a me orientar, a pedir, a explicar tudo que eu deveria fazer quando você partisse. E enquanto você falava eu apenas fiquei olhando o seu rosto tão suave, os fios do teu cabelo louro começando a crescer, gravando na minha alma a sua expressão e os seus lindos olhos verdes. Para sempre vou me lembrar da sensação que senti quando você me abraçou bem forte e falou: obrigada Veruskinha por tudo que fez por mim nesta vida.
Minha Leninha, eu nada fiz por você além de aceitar com muita gratidão as coisas maravilhosas que sempre me chegavam através da sua bondade, do conforto de seus conselhos, de suas palavras sempre cheias de carinho. Se fiz alguma coisa foi simplesmente amar você com aquele amor infinito como se ama uma filha do coração e estar sempre pedindo a Deus pela sua felicidade.
E quando você se foi, eu só conseguia sentir que estava perdendo uma parte de mim, e as lágrimas só receberam consolo por saber que você estava feliz, pois sabia que iria encontrar os seres amados que já haviam partido. E eu fiquei imaginando a festa que eles fizeram com a sua chegada e tolamente me lembrei daquela famosa frase do Pequeno Príncipe:
“Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!”
Para mim você será como uma estrela que vai me sorrir em qualquer parte do céu que eu olhar, pedindo um conselho ou apenas matando as saudades.
Vão ficar muitas das nossas histórias guardadas na minha memória, a me lembrar a falta que sentirei de você, minha amiga e irmã querida, minha "filha" tão amada.
Atendendo o seu pedido aqui estou encerrando o seu blog, apagando as postagens anteriores. Desculpe não ter seguido apenas a orientação de deixar um vídeo com uma das músicas que foi tema do seu casamento, a Ave Maria, pois eu senti necessidade de escrever estas palavras.
Daqui a algum tempo eu prometo apagar a minha mensagem e deixar apenas a música que você tanto gostava e que representava uma união de amor.
Agora eu me despeço de você, Leninha querida, e vou buscar um pouco mais da sua presença cumprindo todas as outras orientações que você me deixou, do jeitinho que você gosta, com capricho, com amor, com dedicação. Porque você era também isto, minha menina, uma perfeccionista em tudo que fazia.
Que Deus a tenha sempre na Sua Santa Paz.
Da sua, sempre sua,
Veruskinha




DE helena ÀS 13:58



sábado, 8 de julho de 2017

dois poemas, duas guerras [...]

Ressoam perto
Os tambores da guerra 
E dão como certo
O uso da fera.

É o clube nuclear
No seu 'melhor'
P'ra destruir
E...tudo acabar.

A dança das espadas
Nas sombras da guerra
E as vozes iradas
Nesta miserável Terra.

Há silêncios de morte
Nos vivos que esperam
Que sem o saberem
A morte, será uma sorte.

São cavalos de Ferro
Voando o Espaço
Cavalgam o Fogo
Varrendo o Chão
E deixam em Aterro
O nosso Perdão.

E só as espadas sentirão...!

.........

[mãe]
Soldadinho 
Oh, meu menino
Faz a picada
Que leva a nada
Olha o capim
Quase sem fim
Não te distraias
Em falsas faias
Parecem ouro
E são de morro
E as suas lanças
Têm lembranças
Dos 'canhangulos'
Em dias escuros.

[pai]
Faz a picada
Leva a espingarda
Bem empunhada
Não vá a sorte
Ditar-te a morte
Na distracção
Do pé p'rá mão.


[filho]
Olá pai, olá mãe
Eu, por cá, tudo bem.

[pensamento]
Hei-de voltar 
Se a morte 
Não me abraçar
E, se chegar
Junto ao teu peito
Quero sentir o palpitar
Naquele teu jeito
De tudo dar.

[anjo]
Que seja vivo
Inteiro
Sem chumbo 
A te matar
Ou a vestir-te
P'ra regressar. 







sexta-feira, 23 de junho de 2017

pinhal interior_natureza morta


"fénix" - foto da net
(atente-se ao lado esquerdo - parece uma imagem feminina com almas ao colo)

ardem as palavras 
incendiadas
na dor.

e sem fuga
no meio do terror
o grito cercado
desesperado
em turbilhão.

vidas em fogo
destruídas
sem compaixão.

entre o céu e a terra
as labaredas da nossa
incompreensão...