segunda-feira, 8 de junho de 2015

sombra, silêncio e dor

sombra, silêncio e dor:
sombra descida de pavor
silêncio para ouvir todos os ais
e a dor persistente dos demais

há agora uma nova guerra
como sempre houve noutra era
há um chão pisado por chacais
e um rio crescente de animais

uma floresta feita de pinhais
e de espinhos cravados e letais

uma obscura ideia de conquista
e duma paz duradoura já à vista

há um cheiro nauseabundo de ideias
que vão construindo novas teias

há o sofrimento de quem cala
e o grito revoltado de quem fala

há tudo isto e muito mais...
na paisagem que outrora era sã
onde na relva dançava minha irmã
sob o olhar protector dos seus pais

há um mundo diferente no olhar
um caos habitante onde antes era lar
uma fuga para a frente apressada
e  no rosto desolado, estampado
o sofrimento a marcar a passada

foge-se da fome, da guerra e da incerteza
foge-se da terra, das gentes e da leveza
com que morte ronda o que antes foi beleza
foge-se ao encontro da tristeza...

e a europa ali tão perto (que deserto)
dos passadores fingindo amores
e as vidas cativadas bem por perto
longe de tudo, longe dos horrores

somos assim... olhamos o mundo
na nossa consciência adormecida
com oceanos perdidos e sem fundo
onde sangra a vida em profunda ferida.