quarta-feira, 21 de setembro de 2016

pizza_ tem nome mas não tem liberdade....




algures na china:

o animal mais triste, que jamais vi em imagens,
foi o deste urso polar, em cativeiro.

com o queixo a tremer, o corpo deitado, e um vidrado olhar, serve um passatempo cruel: o de simplesmente o "admirar".

é o supremo sofrimento, patente a nós e a quem o vá visitar.

a notícia mais importante, de hoje, é a da sua mudança para um habitat próximo do seu natural, em Inglaterra.

porquê,
este meu intermitente desassossego?

porque,
perto ou longe, existe este "inverno do nosso descontentamento".

quisesse eu ignorar tudo isto
e nada mais me poderia sensibilizar.

é por entre estas frestas clausuradas da maldade humana, que o sonho incomensurável da liberdade espreita.

um  olhar sofredor, como este,
pode (e deve) agitar as nossas consciências ...

as dos nossos filhos, essas, são bem melhores do que as dos seus pais.

é nelas que a esperança, num planeta harmonioso, reside.

https://www.animalsasia.org/uk/media/news/news-archive/wildlife-park-offers-new-home-to-worlds-saddest-polar-bear-trapped-in-chinese-mall.html?_utm_source=1-2-2


domingo, 18 de setembro de 2016

folha caída



foto Luís M

teus olhos navegam em barcos de espuma
e o sal dos teus sonhos perdem-se na bruma
teus passos desenham estrelas do mar 
perdidos na areia banhada à luz do  luar.

um dia sonhaste com um porto antigo
embarcando um destino um dia vivido
mas de ti não fugiste como seria esperado
amor centilado que terias de nova chegada
seria outra partida a que o sonho levava

mas é de ti que tens medo, de sentir e  sofrer
um qualquer amor que viesses de novo a ter.

os tempos são outros e os ventos mudaram
como corações de tanto sofrerem cansaram
ficou só um rasto indelével de folha caída
que sempre teve no chão a própria vida.

( - "o poeta é um fingidor...", meu amor!)
....

mas hoje quero segredar-te um outro amor
este nosso vivido no mais puro ardor.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

setembro

foto by sofia almeida


viesses tu minha amada
novamente
neste setembro de alvorada
e como a vez primeira
igualmente
seria clareira.

(ao mês e ao amor)