sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

na 'nuvem' o último poema



Foto: LuísM


há no teu poema um corpo em núvens de cansaço
pássaro voando num horizonte volátil.

ilha dos amores do meu sonho escondido e tarde inventado.

não mais terás o achamento por mim acalentado
na última hora do dia acabado.

não mais serás fénix 
quando o céu da blosfera se fechar e o tempo por ti (e por mim)... não mais esperar.

queria-te sem o saber
se existias  ou se poderias ser - qual o lugar onde procurar
um filho inda por nascer.

hoje foste desejo no cerrado nevoeiro da criação.

mas a mim não mais chegarás.

eu e meus braços abertos são pontes no entardecer
são desejos de saber... e te ler.

quanta beleza há num ninho 
de labor 
sonhado e construído com amor. 

meus olhos cativos do encanto merecido.

poema 

onde estás tu, agora
que só existes por dentro
da minha memória?

(para a poeta Laura Santos , que encerrou o seu blog "Escrita no Vento")





4 comentários:

  1. Quanta beleza há num poema onde o sentimento escondido ganha asas e se projecta de cá para um "lá" que não tem limite. Que as pontes estejam sempre lançadas sobre os rios de bem querer. Ainda que a existência seja por dentro da memória.

    Bom fim de semana Luís. Beijo

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  2. gosto muito do poema

    carregado de memória, mas ainda assim desperto ao sonho
    pelo menos enquanto "os cativos olhos" assim forem

    abraço, meu caro amigo

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  3. Se um poema permanece na memória ninguém o arrancará do coração...
    Ficará na "nuvem" só para quem souber que ele existe...
    Uma homenagem feita com um poema assim é lindíssima.
    Uma boa semana.
    Beijos, meu Amigo.

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