quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

noites de s. joão



virgens de dores
pétalas doces
saga
em corpos soltos
oh clamores
perdidos somos 
entre a bruma 
dum simples olhar
para aí parar 
sempre a pensar 
com o coração 
preso ao falar.

andam as ruas 

a desabitar 
toda a fauna 
dentro do mar
e toda a forma 
a desenhar 
um risco unido 
no horizonte
perpendicular 
rasgando o céu 
em cores diletantes 
até aos montes
a zebrar 
a planície 
estendia 
em frente 
desse cantar. 

oh alegria 

no sol a espairecer
na urbe construída 
para te amar
e nas janelas 
entre vielas 
há uma paisagem 
a renascer
roupas em velas 
e as calçadas presas 
ao olhar 
e nelas se concentrar.

saltam cantigas 
a desfolhar 
vozes prendadas 
entre o luar
e todo um coro 
a deslizar 
no nosso rio 
a festejar
sobem balões 
a contentar 
olhos rendidos 
ao seu vagar. 

pátios antigos 

de mouros 
hoje estendidos 
no sangue herdado
e a conquista 
cruzando a dor 
e a pele na cor 
presença 
nas ruelas estreitas 
e singelas
entre o abraço
no curto passo
fintam os rostos 
muito bem postos 
e o seu andar 
quase a passar.

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