quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

ventos e marés

"Vento de Verão" - Vladimir Volegov
Pintor russo contemporâneo


reconheci-te a voz na escuridão
do dia no nosso olhar em linha
furando o destino entre a multidão
de gente que ia e gente que vinha.

reconheci-te sem ainda te conhecer
sem saber que eras ou poderias ser
um qualquer porto de acostagem
neste marejar de rio sem margem

reconheci-te sem qualquer química 
essa face oculta e insondável da lua
e nos intensos odores da monotonia
com que gastava os passeios da rua.

- como? - pois não sei o que foi
não sei, não! 

ainda hoje não sei como foi, amor 
se seria em mim fugir do temor
de sozinho viver sem um chão
ou outra qualquer misteriosa razão.




2 comentários:

  1. cativante a tua Poesia
    brota com a "naturalidade" de água límpida.
    quando bem sabemos que a "simplicidade" custa muito

    abraço, meu amigo

    abraço, meu amigo

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  2. Reconhecer um amor sem química, sem a luz de uma qualquer aurora - apenas pela voz - é uma forma linda e pura de encontrar um rumo e "fugir do temor de sozinho viver sem um chão". Suave e simples como os ventos e as marés : desta vida.
    Beijo caro amigo.

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