sábado, 8 de julho de 2017

dois poemas, duas guerras [...]

Ressoam perto
Os tambores da guerra 
E dão como certo
O uso da fera.

É o clube nuclear
No seu 'melhor'
P'ra destruir
E...tudo acabar.

A dança das espadas
Nas sombras da guerra
E as vozes iradas
Nesta miserável Terra.

Há silêncios de morte
Nos vivos que esperam
Que sem o saberem
A morte, será uma sorte.

São cavalos de Ferro
Voando o Espaço
Cavalgam o Fogo
Varrendo o Chão
E deixam em Aterro
O nosso Perdão.

E só as espadas sentirão...!

.........

[mãe]
Soldadinho 
Oh, meu menino
Faz a picada
Que leva a nada
Olha o capim
Quase sem fim
Não te distraias
Em falsas faias
Parecem ouro
E são de morro
E as suas lanças
Têm lembranças
Dos 'canhangulos'
Em dias escuros.

[pai]
Faz a picada
Leva a espingarda
Bem empunhada
Não vá a sorte
Ditar-te a morte
Na distracção
Do pé p'rá mão.


[filho]
Olá pai, olá mãe
Eu, por cá, tudo bem.

[pensamento]
Hei-de voltar 
Se a morte 
Não me abraçar
E, se chegar
Junto ao teu peito
Quero sentir o palpitar
Naquele teu jeito
De tudo dar.

[anjo]
Que seja vivo
Inteiro
Sem chumbo 
A te matar
Ou a vestir-te
P'ra regressar. 







4 comentários:

  1. A todos os amigos:
    A nossa querida Leninha se submeterá a uma segunda cirurgia (já prevista desde a primeira), nesta Segunda-Feira, dia 10.
    Apesar da delicadeza do momento, ela se mantém tranqüila, confiante, em paz.
    Além das orações e do apoio dos amigos aqui de perto, gostaríamos de contar com as preces de todos vocês que sempre a apoiaram em todos os momentos.
    Que Deus recompense a cada um!
    Vera Lúcia

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  2. Poemas fortes, Luís; onde a destruição impera, o medo veste a alma, e a esperança quase perde a cor. Duas faces de uma guerra; os "soldadinhos" que dão o corpo e a vida. E os "cavalos de ferro" com ventres de fogo que arrasam tudo à sua passagem.
    Duas visões com um peso que arrepia de tão "reais". Para pensar, a sério.
    Beijo de luar

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  3. Luís, meu querido amigo, nem sei como agradecer por todas as vezes que estiveste no meu cantinho levando palavras de conforto, apoio, solidariedade, e tua preciosa amizade. Aquele poema que me deixaste no penúltimo comentário, confesso, marejou-me os olhos.
    E podes crer que as tuas palavras (recebi-as como muitas) chegaram ao meu coração e nele se aconchegaram...
    GRATA, meu querido amigo, por TUDO!
    Que a vida te seja sempre abençoada, iluminada, florida, perfumada... Com todas as benesses que tu mereces!
    Receba um carinho imenso que faço aconchegar entre sorrisos e estrelas num imenso abraço que se expande para além da distância que nos separa.
    Um beijo do meu para o teu coração,
    Leninha

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  4. São inquietantes todos os poemas sobre a guerra. Assim os teus, Luís. Cheios de sensibilidade também.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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