segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Helder Moutinho (Fado Menor)


Excepcionalmente trago, hoje para aqui, este registro musical de muito alta qualidade.
Porque a vida é feita de momentos, e porque há-os inolvidaveis, nada melhor do que apreciá-los, pois estão ligados aos sentidos.
A música, como uma das mais belas expressões artísticas, é e será sempre um catalizador de emoções.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

madura seara

fotoLuísM
samba

seu rosto tem um jeito
tão direito
que me deixa louco 
de prazer
e seu peito
tem o leito
do fazer e não fazer.

seu cabelo tem um rio
tão em fio
que me leva a navegar 
como se fosse meu mar
e me estendo
ao seu cheiro 
tão inteiro
que não entendo.

seu sorriso tem um misto
de inocência 
e sedução
como querer e não querer
eu ser seu adão.

e seu corpo é escultura 
nas linhas
de arquitetura 
dum poema de neruda 
que leio como ninguém.

e seus lábios têm cola
que namora
meus sonhos de feira
toda a hora
como quadro de vieira

e a flor beija-amor
pássaro de mel
é romance a dois
com música de brel.

("para não dizer que não falei de amor...")

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Avó-Mãe, Branca



Maternidade”, de Picasso. 1905.

e o céu escurecia 
e o poema morria
e a criança dormia

e tu 
paravas no tempo
do tempo perdido

e eu
olhava o vazio 
no silêncio da sombra

tantos foram os anos (49)
na pobreza duma mãe 
que abandondo uma filha 
jamais conheceu
o amor que ela tinha (e tem):
- Rosa Branca !

(inspirado numa crónica de vida, hoje lida)


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

muros de solidão

Almada Negreiros (1893-1970) A sesta 1939 - carvão sobre papel


não cantes as tristezas doutras horas
não deixes as prisões fecharem-te os portões 

canta, mas canta todas as tuas ilusões 
que tarde ou cedo te abrirão o peito de emoções.

muros que outros ergueram serão chão 

que pisarás como se o mundo fosse teu

e jamais sentirás o coração fechado em solidão.













quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

porque sim.

imagem net


Ato o sol aos rios 
nos claros dias
da manhã
e o cristalino olhar
sobre a montanha
que fizeste de mim.
Amo-te...
porque sim.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

silêncios


fotoLuísM

já não oiço a música que ouvia
em tempos de euforia.
por isso
deixo-te o encantamento de outrora
com a angústia coberta de pó
na demora.
podes limpar a tristeza
nos discos esquecidos da memória
mas só ouvirás a ausência
que toca a toda a hora.

( "nem às paredes confesso..."_a ser verdade.)